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A última dança [Drama/One-Shot]

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A última dança [Drama/One-Shot]

Mensagem por Lord Voldemort em Ter Ago 09, 2011 8:18 am

A Última Dança

What if this storm ends, and I don't see you, as you are now ever again?

“Está consumado”.
Estas foram as últimas palavras que ouvi naquela noite. E após o último som, perdido entre as colunas brancas daquele ambiente pavoroso, meus pés perderam o chão. O que havia acontecido com o sonho daquele garotinho simplório do interior?
Do lado de fora do hospital o céu chorava. A luz cinzenta não queria iluminar aquele dia sombrio. Para ser mais exato, nada estava normal ou funcional naquele dia. Mas eu não queria acreditar. Por que?
Eis a pergunta que me perseguiu o dia todo. Tudo o que eu havia feito não passara de uma ilusão temporária e fútil? Aquele momento terrível ficaria marcado em mim pra sempre. E tudo o que eu ouvia das pessoas eram palavras inúteis e sem sentido. Como eu não tive culpa por deixar ela morrer?
Mas ainda tinha algo que podia ser feito.

O sol acordara tímido naquele dia. As muitas nuvens mal deixavam o calor chegar a terra molhada. Mas apesar disso, era um domingo perfeito para um pique-nique. Jordana Morningside era a mais alta das irmãs e a mais bela. Era assim que Sam pensava, toda vez que via seus longos cabelos dourados cintilarem ao sol. “Sou o homem mais sortudo do planeta”.
Perto das quinze horas o carro estava carregado e os passageiros acomodados. Um passeio ao ar livre sempre pode ficar melhor com a presença de crianças. E assim, os filhos dos Jacksons e sua babá foram a compania que Sam e Jordana precisavam.
Eles viviam um sonho. Algo que Sam sempre quisera desde criança, ter uma família, amar e ser amado, passar cada dia sem medo de começar outro sonho. Só que as vezes o destino pode ser cruel, e mudar tudo na vida.
-Está gostando do pudim, Jimmy? perguntou Jordana ao mais jovem dos irmãos Jacksons.
-Hum, esdá belicioso! - respondeu ele com a boca cheia.
-Já decidiu o que vamos fazer amanhã, querida? - indagou Sam. -Tenho o dia de folga.
-Pensei em visitarmos o Monte Azul, gosto de sentir o cheiro do mar no alto da colina. - respondeu ela fechando os olhos e imaginando a sensação.
-Perfeito! Assim aproveito e tiro umas fotos para o álbum.
Ao final da última palavra, uma gota vermelha caiu por cima de um dos guardanapos de renda. O jovem Benson debruçou-se na toalha quadriculada, observando a mancha vermelha.
-Achei uma sujeira! - disse ele sem tirar os olhos.
-O que foi, querido? - perguntou Jordana virando-se para ele. E mais uma gota vermelha caiu sobre o guardanapo.
-Olha, outra mancha! - disse o garoto.
-Será que é geléia? - perguntou Jimmy interessado.
-Eu não sei, você trouxe geléia, querida? - perguntou Sam.
-Não, eu...
Ela parou. Como uma máquina que fica sem energia. E pelo pequeno nariz, alguns milímetros arrebitado, um rastro de sangue se formava. Os olhos vidrados não viam mais nada, apenas escuridão. E aos poucos, o corpo imóvel foi tombando para frente.
-Querida?! Está tudo bem? Responda! - dizia Sam repetidamente.
A babá tirara as crianças de perto, ao mesmo tempo que ligava para uma ambulância. A atmosfera alegre e cativante de outrora agora dava lugar ao terror e desespero. A cabeça de Sam parecia que ia estourar. E então, silêncio.

O ambiente era ironicamente frio e vida. As paredes brancas e lisas tinham um brilho fosco e depressivo. Não era um lugar em que as pessoas gostassem de estar, nem por um simples momento. Algumas pessoas costumam dizer que não se deseja estar num hospital nem para seus inimigos. Sortudos dos que pensam assim.
Apenas uma coisa se destacava naquele lugar alvo. A figura humana de uma mulher loura jazia imóvel no leito, ladeada por máquinas que a maioria das pessoas só vêem nos filmes.
Do lado de fora do quarto, Sam a contemplava pelo vidro da porta. Ainda não estava recuperado da cena de horas atrás, mas mantinha-se firme. Perto dali, o casal Morningside estava abraçado, na tentativa de consolo mútuo e desesperador. Ele tinha que chegar a eles e dizer alguma coisa, mas suas pernas se recusavam a se mover.
-A quanto tempo ele está ali? - perguntou o Sr. Morninside.
-Não saiu dali desde que ela chegou. - respondeu a Sra. Morninside.
-Acho que devíamos falar com...
-Não, não. - advertiu ela. - Apenas o deixe com sua dor.

A noite transcorrera praticamente sem notícias. Depois de algumas horas o médico responsável autorizara a entrada dos pais e de Sam para ficarem ao lado de Jordana. Ela porém nada sabia do que se passava ali. Aliás, sua mente ficara pausada no pique nique, no momento mais feliz de sua vida. E por mais algumas horas a situação foi a mesma, sem nenhuma mudança.
Quando o relógio marcou seis da manhã, o céu desabou em uma chuva pesada e intermitente. Jordana estava pálida e sem expressão, como se tivesse em dúvida de suas sensações. Então, a sinfonia de barulhos infernais começou, primeiro com o som agudo e contínuo dos monitores vitais, seguido pelos passos apressados de pessoas quase igualmente vestidas, um fundo fúnebre com pranto de alguém e então silêncio.
-Está consumado. - disse o médico. -Hora da morte, seis horas e quarenta e cinco minutos.
Sam sentiu como se estivesse em uma queda livre. Seu estômago se revirava, suas pernas tremiam, seu coração ameaçava explodir. Aquilo era irreal, impossível, era ridiculamente insano.
Na medida em que ele corria para sair dali, as coisas passavam por ele como borrões, ele estava no corredor que separava a vida e a morte, ele tinha que encontrar a saída. Do lado de fora do hospital, o céu estava cinzento-azulado. A chuva cedera lugar à uma garoa finíssima e gelada, o que deixava o clima frio e inconstante.
“Pensei em visitarmos o Monte Azul”, dizia uma voz em sua mente, “gosto de sentir o cheiro do mar”, insistia ela, “no alto da colina” a frase martelava dolorosamente, não saia de lá, como se estivesse viva... no alto da colina... viva.
Aquilo tinha que ser verdade, e Sam se apegava naquilo com todas as suas forças. O carro deslizava pela estrada molhada, como se não houvessem obstáculos. Nada o faria desistir, ela estaria lá, esperando por ele. O monte azul, sempre o mesmo lugar.
A medida que ele subia a encosta, o cheiro do mar já começava a ser notado. E isso provocava ainda mais dor em seu coração.
-Estou chegando amor! Me espere.
Voltara a chover, com pingos tão grossos que pareciam tiros. No alto do Monte Azul, haviam algumas cabanas de madeira velha e cobertas de lodo. O chão fora rusticamente pavimentado com lajotas de pedra e em alguns pontos a terra tomara conta. Na ponta do monte, um mirante permitia a vista do horizonte marinho, hoje agitado e embaçado pela chuva.
Sam saiu do carro, derrapando entre as poças de água. Ela estava ali, tinha que estar. Era o lugar onde queria estar, onde mais gostava. A ansiedade chegou ao limite, ao passo que ele se aproximava do mirante. Então ele a viu, linda e majestosa como sempre, esperando por ele.
-Jordana...
Ela sorriu para ele, levantando a mão direita, enquanto o vestido branco esvoaçava com o vento. Sam segurou em suas mãos, sentindo o calor daquele momento. Ela fez sinal para que ele subisse na grade. Ele obedeceu, sem tirar os olhos dela. Aquilo era o que ele queria, vê-la mais uma vez. E com um abraço, eles caíram.
Com o vento e a chuva gelada os acompanhando lentamente, eles dançaram, rodopiando pelo ar em queda, sem se importar com nada. Estavam juntos mais uma vez, e nada iria os separar. Nem mesmo a morte.




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Re: A última dança [Drama/One-Shot]

Mensagem por Dasha Marie Le Gov em Ter Ago 09, 2011 10:00 am

Nossa,sem palavras gostei bem profundo,esta parte "nada iria os separar. Nem mesmo a morte."isso mexe muito com alma.Parabéns!

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